sexta-feira, janeiro 29, 2010

Miramax fecha as portas



Miramax, a conhecida produtora norte-americana, criada no final da década de 70 pelos irmãos Bob e Harvey Weinstein fechou as portas na quinta-feira dia 28.
Entre os grandes sucessos da produtora encontram-se «Pulp Fiction» de Quentin Tarantino e «Chicago» de Rob Marshall.

Avatar já é o maior sucesso de bilheteira da história


Avatar, filme que estreou dia 17 de Dezembro de 2009 e do qual já falamos um pouco aqui no blog, conseguiu superar o recorde de bilheteira de Titanic, ambos do realizador James Cameron. O épico de ficção científica já arrecadou perto de dois biliões de dólares em apenas 40 dias.

Parece que o grande investimento em publicidade para este filme deu os seus frutos.

Terceiro filme da saga Twilight - Eclipse


Depois do tremendo sucesso de bilheteira que fizeram os dois filmes da saga Twilight, sendo que Lua Nova contou com um total de 508.921 espectadores, é notória a excitação que se gera em volta do terceiro filme da saga: Eclipse. As informações acerca deste são ainda escassas, sabendo-se apenas que irá estrear a 30 de Junho e que terá o formato 3D. Os actores mantêm-se, com excepção da substituição de Rachelle Lefevre por Bryce Dallas Howard relativamente à personagem de Victoria, e surgem outros para interpretar as novas personagens. Quanto ao trailer, ainda nada se sabe sobre este, representando um dos mais esperados do ano, e assim que obtivermos acesso a ele será aqui postado no blog.

terça-feira, janeiro 19, 2010

O Laço Branco - Opinião


O cineasta austríaco Michael Haneke é um prodígio mundial da sétima arte. Não havendo dúvidas para tal, ainda que a agradabilidade do seu cinema seja, obviamente, relativa, provam-no autenticadas e críveis cerimónias, festivais e críticos, que reconheceram a sua última obra(-prima) como um dos melhores filmes do ano. Não é só, na minha perspectiva, o melhor, como também consegue subir para onde se encontram os grandes filmes produzidos nos tempos passados.

Razões não faltam para comprovar a qualidade da Palma de Ouro de Haneke. Se o realizador ganha em termos de experiência de vida e história pessoal, após as suas formações em matérias de tentativa de compreensão da condição humana como é caso da Filosofia, este também se pode, e não haja quaisquer hesitações neste ponto, vangloriar-se de ter desenvolvido uma filmografia algo consistente, debruçada sobre o lado mais negro e recôndito do ser humano moderno, portanto, uma linha de obras inesquecíveis e dotadas de uma grande qualidade e poder. Há, contudo, algo que nelas se une: o fascínio pela perspectivação subjectiva da morte, seja ela vista como a salvação (“O Sétimo Continente”), como uma inevitabilidade (“O Laço Branco”), como tabu (“Caché: Nada a Esconder”) ou, simples e sordidamente, como uma «brincadeira perigosa» (“Funny Games / U.S.”; “A Pianista”; “Benny’s Video”). E, apesar da forma como é toda ela abordada, seja pela via do terror psicológico ou do simples mas cru ensaio dramático, o autor mantém continuamente um estilo, formal e de linha narrativa, que o pode definir como inédito e como um modelo, a seguir, claro está, para os interessados jovens realizadores que com ele se identifiquem na totalidade. Não se cedendo a imagens contemporâneas de uma violência que transcende o próprio equilíbrio e estabilidade humana, mas criticando-as ferozmente expondo-as em segundo plano (como em televisões, etc.), Haneke filma com uma simplicidade, elegância e pureza inigualáveis, valorizando tanto os parados enquadramentos como os clássicos de movimento. Dotado, também, e tal como se orgulha de admitir, de um distinto realismo Nas suas pacientes imagens, o seu lado interventivo é demonstrado na perfeição, ao colocar o espectador na história e ao obrigá-lo decifrar imagens (como os vídeos, os programas de televisão ou o último plano em “Caché”), símbolos (como a praia em “O Sétimo Continente”) e diálogos. Há toda uma sátira e crítica implícita bem representativos do austríaco, que não se cansa de o demonstrar ao longo da sua carreira, escondendo-se e não se escondendo, num inevitável paradoxo. É o espectador que terá que sair da passividade e anonimato da sua condição e interpretar cada filme com calma, enquadrando-o nos tempos vividos, e é, também, obrigação do realizador tornar tudo quanto possa inteligível para que a mensagem bem seja passada. “O Laço Branco” é, pois, o culminar de toda essa dinâmica e crítica reflexiva que, embora retrate uma realidade que se nos parece distante, se mantém corrente, pela actualidade dos temas e universalidade das questões lá colocadas.

Ora, nesta película caminhamos numa aldeia, alemã e protestante, como tantas outras europeias nas vésperas do início da primeira Grande Guerra, com gentes representadas pela humildade das condições com que sobrevivem e pelo espectro do catolicismo, que se assume como uma entidade inquestionável e por demais autoritária. E em redor desse autoritarismo seguimos a trama que envolvem os seus habitantes, desde do Barão, do pastor, do médico e do professor da aldeia (que se assume como o protagonista da nossa trama, narrando-o, como que por medo, numa imparcialidade temível) à parteira, ao gerente e aos camponeses. E, convém não esquecer, o grupo liderado pelas crianças e adolescentes que figuram uma oposição tão inocente como rebelde, marco pelo artificial laço branco. Os eventos trágicos a que se propõe o filme narrar e que coaduna todas as personagens enunciadas, não poderiam ser mais perturbadores, comprovando que os problemas banalizados na contemporânea comunicação arrastaram-se por tempos e tempos, demonstrando a gravidade destes. Falamos, nomeadamente, dos abusos sexuais a menores, ou, em menor grau, das infidelidades extra-maritais. A universidade dos temas é, obviamente, bem evidente: desde a morte, como já referi, como a vingança, a irreligiosidade das acções humanas que vêm a demonstrar, pela via da contradição de crenças e discursos, as constantes dissonâncias cognitivas das atitudes do homem, a culpa e, acima de tudo, como tema-síntese, a maldade humana. Assim é que Haneke examina e aponta o dedo a uma falseada ética que é por demais reprovável. Estão dispostos, pois, dos pólos tremendamente opostos: a criança, enchida de ingenuidade e engano como de pureza e questionamento; o adulto, contaminado, pecador, determinado a impingir no primeiro pólo as normalizações de uma sociedade decadente, prestes a entrar, anos depois, no nazismo, uma das mais horríveis políticas de sempre. E, perguntamo-nos nós, seria tão diferente assim a realidade de, por exemplo, Portugal, no início do passado século? Em que, após uma conjuntura sociopolítica favorável, uma primeira república distorcida de confusões cedeu a um estado autoritário, entrando na era do Estado Novo? A resposta, efectivamente negativa, é facilmente justificável se analisarmos o contexto de uma Europa enfraquecida após a Segunda Guerra Mundial.

A espectacularidade d’O Laço Branco não se rende só às linhas da narrativa e da realização. O filme é, na sua totalidade, um deleite visual a que escapa às grandes produções hollywoodescas, com possibilidades de encantarem as massas com inconjecturáveis e dispendiosos efeitos especiais (estou a lembrar-me, assim e agora de repente…, de um produto bem edificativo disso mesmo). Auxiliado a um propício guarda-roupa de época, em que as cores estão propositada e inteligentemente configuradas, a fotografia complementa tudo o que aqui já foi debitado. De um belíssimo preto e branco, limpo, e com uma luz divinal nalgumas sequências, elementos tais como a neve são expostos com uma clarividência que atinge, só pela contemplação directa e simples, o que há de verdadeiramente onírico e transcendente num mundo contaminado pelos pecadores.

Por fim, há que compreender os avisos constantes relativos a esta excelente película. Não é nada fácil digerir “O Laço Branco”. Pode, inclusive, como a mim deixou, provocar uma grande perturbação. Mas, ao mesmo tempo, e cedendo a uma irresistível tentação, é extremamente estimulante reflectir sobre ele. Haneke triunfa mais uma vez, com o seu melhor filme, um perfeito e negro ensaio sobre a condição humana, que peca apenas pela sua pouca duração.
5*****

sábado, janeiro 02, 2010

Opinião: "Avatar"


Será assim tão necessário começar por descrever a febre que afunda este filme? Custa-me, apesar de todas as minhas anteriores convicções, admitir que sim porque, desde a sua chegada, o que se tem dito da nova película do “titânico” Cameron, consensualmente e no frenético meio que é a Internet, viaja entre “absolutamente revolucionário” a “um novo marco na História do Cinema”. Após a visualização do mesmo, fico em dúvida se se referiam ao filme em si ou ao marketing que o abraçou - porque este, louvado seja tamanho orçamento investido em tempo de crise, esteve presente como nunca antes vimos num filme. Portanto, e para terminar este assunto (tentei mesmo não iniciar uma opinião por este ponto mas…!), apelo a todos que julguem uma película como estas (e como qualquer outra, aliás) de forma independente, ponderada e lúcida.
Continuando na linha do marketing, devo dizer que era, já, por demais expectável o que poderia sair com este “Avatar”. Puro entretenimento para as massas, animação digital trabalhada com a mestria que os 237 milhões de dólares exigiam da equipa técnica (será que é desta que a Academia decide nomeá-lo para o Óscar de melhor filme de animação?), um argumento rápido e convincente para (quase) todos os espectadores. O que não se esperava, pessoalmente: um resultado tão belo e crível do mundo natural de Pandora (terá sido assim tão preciso sair dos confins da Terra, que cineastas como Malick captam de forma inigualável, para maravilhar um espectador humano?) e as referências retiradas de diversas outras obras do cinema e da literatura de uma forma gritantemente pretensiosa, fingindo uma artificial inovação em termos narrativos que ilude, facilmente, o mais ingénuo e deslumbrado espectador. Não é por menos: o 3D (ainda que me proporcionando uma indesejada dor de cabeça) funciona como nunca outro filme o conseguiu, trazendo a tudo um relevo impressionante (pelo menos na primeira meia hora). Nesse aspecto, e há que admiti-lo, espera-se nos próximos tempos uma utilização desta ferramenta mais frequente e competente (mas, por favor, 2D, não fujas de nós!). Pandora é um “novo mundo” (reforcem-se as aspas) repleto de criaturas que, muito convenientemente, na fase final da película, se unem à lá filmes da Disney para combater o inimigo comum, que é o homem. As cenas de acção resultam muito bem, principalmente na última meia hora da película. Este planeta tem, também, o seu quê de fantástico e místico que, de forma muito objectiva, é evidenciado pelas interligações que os indígenas estabelecem com toda a Natureza — uma mensagem ambientalista, espiritual, quase religiosa, que bem poderia funcionar não fosse, mais uma vez, a tentativa de parecer introdutora e criada com magnificência. Também a cultura dos Na’vi evidencia um obtuso etnocentrismo que Cameron não evitou seguir — todos eles têm características humanas e não há nada de “alien” neles, por assim dizer, são índios gigantes pintados de azul. Para finalizar o leque de lugares-comuns presente na estrutura clássica hollywoodesca do guião (há muitos mais, não vou é agora aborrecer-me a enumerá-los), John Smith conhece, também, a sua Pocahontas, relacionando-se com ela de forma incoerente e enveredando pela química humana e tradicional com que já se esperava. A fórmula de entreter e maravilhar o senso comum atingiu-se neste filme.
Pondo de parte a banda-sonora, que nada traz de novo senão uma leve impaciência e familiaridade, e pondo, também, de parte, o tema musical com que somos presenteados no final do filme (não, Cameron, “Avatar” não é o “Titanic”!), há que assinalar, por fim, a miséria geral das interpretações (com personagens tão mal construídas quanto estas, sobretudo a encarnada por Stephen Lang, não se esperava mais).
Em suma: uma técnica geral perfeita, que consegue fazer-nos suportar a duração extensa do filme, aliada a um argumento pobre e repleto de clichés, e uma experiência sensitiva apenas interessante.
3***