segunda-feira, maio 31, 2010

Os filhos de Marx e da Coca-Cola

Sendo que seria o título alternativo para o filme, como gostou de o mostrar no final, este Masculin, Féminin surge-se-nos como um importante documento histórico e, ademais disso, como um relevantíssimo estudo sociólogico que preconizava uma revolução que não tardaria em se materializar no fim da década de 60. Godard, que gostou aqui de explorar e experimentar a câmara e a montagem posterior como se tivessem, por si só, uma imensidão de vida e energia, por um lado, apresenta o Novo Masculino – politicamente consciente, culturalmente desperto, socialmente crítico, irreverente, contra-mundo, inovador, despreocupado, livre de convenções comportamentais e institucionais, mas irresponsáveis, algo contraditórios e presos à desinibição das suas pulsões sexuais. Por outro, apresenta o Novo Feminino – apaixonado, espontâneo, desatento em cumprir as expectativas, sincero, insubmisso, com identidade e querença próprias, mas desatento ao mundo que se lhe rodeia, à política ambivalente que se instaurava no mundo, em tempos de Guerra Fria. É uma Nova França, a da fusão do ser humano aquietado com a sua condição pós-guerra, com a consciência fenomenológica e existencialista de si, um levantamento para um Novo Mundo, o de Marx, que aqui se encontra idealizado mas presente, e o da Coca-Cola, ditadora de uma região albergada pelo mundo capitalista, que se manteria até o presente. Sim, sem dúvida, se já me surpreendera o Band à Part, este aqui foi a absoluta de que Godard veio até mim para ficar. Que venham mais e excelentes filmes, como este.

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